Portugal Curvy #13 - Self Love


"Debaixo do meu chapéu, é o lugar onde abrigo os meus sonhos,
onde escondo as minhas lágrimas
mas também guardo os meus sorrisos.
Debaixo do meu chapéu carrego perguntas cujas respostas não tenho.
Debaixo do meu chapéu existem tantas coisas que quase não cabem mais!
Debaixo do meu chapéu tem uma cabeça e um coração."

Estarão provavelmente à espera de encontrar mais um outfit com um tema especifico para o Portugal Curvy, mas este mês é diferente. Isso mesmo, diferente. E porque motivo? Porque este mês de Abril é o seu mês, o mês em que pela primeira vez nos mostrámos juntas com o mesmo objetivo, espalhar inspiração nos corações de quem nos lê.
Quando decidi lançar este movimento um dos meus maiores objetivos era (e continua a ser) inspirar quem passasse pelos blogs participantes independentemente do tamanho.


Sei que pode parecer cliché, mas eu sei o quanto bloggers próximas das suas leitoras me ajudaram neste meu caminho em busca da pessoa que queria ser e hoje sou.
Por isso, nada melhor como tema que "a busca do amor-próprio" para este mês em que celebramos uma ano de caminho juntas.
No Facebook, quem por lá anda viu que há uns meses atrás partilhei convosco uma pergunta "Que peça de roupa riscaram por completo dos vossos roupeiros devido a um complexo?". Felizmente tenho mulheres maravilhosas à minha volta e participaram ativamente, o que me levou a perceber que as peças "crime" quando saímos dos padrões standard impostos pelo mundo da moda atual. Desde calções, a tops de alças e não esquecendo os biquínis.
Isto tudo para vos dizer que quando levantei esta questão, já esta ideia de tema estava pensada, mas também uma outra série de posts que irei partilhando convosco.
Quem me acompanha há uns tempos sabe que nem sempre fui assim, livre. Sabe que o caminho foi cheio de poços que pareciam não ter fundo e que sobretudo eu já fui uma Mulher com vergonha de existir, com vergonha de um corpo que não podia ser aceite porque os outros sempre o acharam feio.

Isso mesmo, já fui uma Mulher que se resumiu a um corpo gordo, feio e maltratado pelas feridas que os outros foram deixando.
Se há coisa que estava fora de questão eu fazer era mostrar-me, isso mesmo, mostrar que eu existia. Verdade, quem diria que uns anos mais tarde eu estaria aqui, num blog, onde partilho a imagem do meu corpo, o meu coração, a minha casa, a minha vida e acima de tudo o meu caminho para que vejam que não, nada cai do céu, mas caramba é possível. Isso mesmo, é possível viver uma vida plena mesmo quando todos nos fazem sentir menos. Quando todos procuram ver apenas uma imagem e nós insistimos e gozamos do nosso espaço sendo muito mais que um corpo. E digo-vos, como é bom, como é um orgulho desmesurado ser-se uma MULHER LIVRE e feliz marcando o seu lugar com muito mais que um corpo. Marcar o mundo por aquilo que somos e não pelo corpo que temos é uma passo gigante na existência de todos aqueles que cruzam e cruzarão os nossos caminhos. Acreditem.

Falando-vos da foto que partilho hoje convosco, talvez dirão ou acharão que nada tem a ver com o tema... enganam-se.
Tem tudo a ver e passo a explicar-vos... nunca na minha vida eu tinha ousado usar chapéus. Isso mesmo, chapéus. Nem quando era mais magra. Chapéu sempre foi aquela peça que eu associei durante anos a fio a mulheres altivas, de cabeça erguida e costas direitas. A Mulheres que pisam o chão sem pedir licença, que levantam o olhar sem se preocuparem com aquilo que os outros pensam.

Pode parecer-vos estranho, mas quando comecei a conhecer o meu corpo, quando comecei a entender que eu merecia a minha vida e que não tinha de me envergonhar por um corpo que é meu, comecei aos poucos a usar roupa colorida, depois peças de roupa branca, decotes, tops de alças, calções e por aí fora... até que percebi que na roupa já nada me era interdito. Desde que eu me sentisse bem, que eu gostasse, então não haviam mais barreiras.
Mas… chapéus, isso mesmo, chapéus continuavam a ser uma peça tabu para mim. Experimentava quase todos os que encontrava na loja, olhava-me ao espelho, até gostava de ver e o marido dizia sempre "Adoro, ficam-te tão bem. Leva". E óbvio que eu não levava. Óbvio que eu voltava a pendurá-lo, sem remorsos, sem me sentir triste ou frustrada. Juro que não guardava sentimentos negativos por ainda não conseguir usar aquela peça. Eu sabia que não estava preparada e não queria sobretudo culpar-me visto todo o progresso que eu já tinha feito.

Até que, um dia comprei o meu primeiro chapéu. Uma capeline gigante. Esta.

E guardei-a. Guardei-a sem me exigir prazos. Sem exigir isto ou aquilo de mim e daquela peça.
Passaram-se meses, sim, quase um ano, que aquele chapéu ali estava sem me pedir o que quer que fosse. E depois de ter ousado um batom vermelho. Depois de ter ousado um verniz forte nas semanas anteriores estava então na hora de pegar naquela capeline e passear ao sol sem medos, receios ou vergonhas.
Lembro-me como se fosse hoje. Calças brancas, sandálias rasas com detalhes coral e uma blusa também ela com pequenos detalhes beges e coral. A capeline e um lanche numa das esplanadas da praia de Carcavelos. Verdade. Foi assim que saí à rua pela primeira vez com um chapéu. E amei. 
Quando cheguei a casa emocionei-me, não não estava a chorar de alívio. Nada disso, estava ali eu a Ana, cada vez mais completa, cada vez mais livre a usar aquilo que me apetecia, sem sentir qualquer restrição e sobretudo a ser a Mulher que eu sempre desejei ser.
É... existem passos na vida que são assim, existem peças seja de roupa, acessórios ou simples coisas da vida que nos desbloqueiam, que nos mostram que tudo depende de nós, que tudo tem o seu tempo, sem pressas, sem exigências. Apenas no nosso momento, no nosso tempo as coisas acontecem.

O chapéu, isso mesmo, foi algo que me mostrou que eu posso ser quem eu quiser. E se eu posso, se eu pude, vocês, qualquer uma de vocês, pode levantar a cabeça e viver a maior riqueza a que tivemos direito... a vida!
Quem diria que eu, a Ana, dos anos passados, poderia hoje, escrever-vos estas palavras.
Quem diria...

Hoje uso chapéu imensas vezes. Mas, acima de tudo hoje em dia uso um sorriso nos lábios, uma luz no olhar e uma cabeça erguida com vontade de descobrir o que o mundo e o futuro me reserva.
Esta é a primeira peça que dá assim inicio a uma série de posts que irei partilhar convosco, na esperança de que também vocês deem os pequenos passos e façam as pazes com aquilo que achavam ser proibido ao vosso corpo.

Não se esqueçam de ir espreitar as outras grandes Mulheres que fazem parte deste movimento, tenho a certeza que um dia de inspiração vos ajudará a sorrir:

25 comentários:

  1. Cada vez gosto mais de te seguir... também eu tenho uma noia em usar chapéus... só no verão passado consegui usar um que já tinha há anos.... mas em contexto de praia... mas também me senti muito bem :-)

    Gosto da iniciativa, seguir cada vez mais perto :)

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    1. Muito obrigada Alex, espero de coração que um dia destes seja o teu momento para ousares novamente o chapéu na rua e sorrires por te sentires tão bem.
      Beijinhos

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  2. E ficas linda de chapéu!!! Um beijinho muito grande minha querida

    Mary

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  3. Está a ser tão boa esta partilha de testemunhos!! Adoro, adoro ver como cada uma aos poucos se torna cada vez mais completa e se aceita!

    P.s: O chapéu fica-te super bem eheheh <3

    Um beijoooo
    Catarina de Sousa,
    www.cubanna.com

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    1. Acho que o nosso movimento ainda vai crescer mais nesse sentido, acho que a essência da coisa fica mais perceptivel.

      Grande beijinho e mil mercis!

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  4. Adorei! Nunca pensei que tivesses problemas com chapéus! :P
    Vi as outras fotos (já tinha visto) e fica-te super bem! beijinhos

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    1. Verdade. Quem me vê hoje em dia jamais saberia de onde vim. Acreditas que naquele dia em que te conheci pessoalmente tinha dois chapéus no saco e acabei por não usar... pois. Um passo de cada vez :)
      Beijinhos miúda.

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  5. Mais uma vez a falar do seu corpo. Nesta altura já toda a gente está careca de saber que é/foi gorda, que sofreu muito e blá-blá whiskas saquetas.
    Senhora você é como é e ninguém tem nada a ver com isso. Deixe lá o lado "Calimero" de parte, que já enjoa.
    Assuma o seu corpo, e quem não gosta não olha. Se a ofenderem mande-os à m...

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    1. Oh miúda, ocupa o tempo com o que tens e se não tens arranja um espacinho e pede a um colega para ir dar uma rapidinha às escadas ou à casa de banho do trabalho que esse azedume todo passa em dois segundos.
      Se estás à espera de encontrar conversas sobre pessoas magras num blog com o nome "A Plus Size Girl Who Loves Life" das duas uma, ou és burra que nem cornos ou inglês não é a tua praia mesmo que sejas muito viajada.
      Mas, olha, não te preocupes no próximo Portugal Curvy não falo em como alcancei aos poucos a minha autoestima usando roupas, para a próxima falo-te de todas as coisas boas que me foram dizendo na cama enquanto me faziam descobrir os prazeres carnais. Depois já não te chateias com o bla bla bla, vais é sentir-te ainda mais frustrada por perceberes que o corpo gordo "coitadinho" também tem a parte do "foda-se que isto é bom". Pode ser assim ou queres que desça ainda "mais um andar"? Também o sei fazer. Sabes, um professor meu dizia que a inteligência está na adaptação, sair um Foda-se e um Se Faz Favor no momento certo e com ou para as pessoas certas só mostra poder e inteligência.
      E nem sonhes em vir dizer que estavas a ser boazinha que eu se pudesse mostrava-te o que é ser boazinha em pessoa!
      Como queres à força toda ditar o que devo ou não escrever, do que devo ou não falar então olha, mando-te a ti à MERDA e com as letras todas.
      Cansa-me gente assim.

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    2. A minha estreia a comentar o blog da Ana vai ser feita pelos piores motivos. Costumo ler todos os posts e esta conversa e até as expressões parecem ser muito semelhantes a outros comentários do género feitos ao longo do tempo. Ora bem, isto leva-me a crer que esta pessoa deve ser extremamente mal resolvida e consequentemente invejosa, porque para mandar estas "postas de pescada" só o pode ser. Porque a inveja? Não tem um espaço em que fale daquilo que quer e lhe apetece? Crie-o. Não tem ninguém com quem desabafar as suas inseguranças? Escreva-as num diário/jornal. Não sabe como se conhecer? Experimente ver-se ao espelho e olhar-se com olhos de ver. Um blog é basicamente como um livro/revista/jornal: tem um série de temáticas e pode ser especializado ou não, e portanto, quando decidimos lê-lo, é usual primeiro ler o título e o editorial/introdução/resumo. Ora bem, a senhora entra no blog, vê os temas, sabe que provavelmente se vai tratar aquele tema, então se não está interessada no tema, porque é que vai desfazer na escrita e trabalho do autor em vez de ir procurar outro blog com temas com que se sinta confortável?

      Se eu fosse a dona deste blog, pode crer que também a iria mandar à merda com todas as letras. Porque crítica construtiva, qualquer um aceita desde que bem fundamentada, agora crítica destrutiva? Minha cara, isso é só ser mesquinho.

      Parabéns Ana por continuar a ser um exemplo para mim, por falar descontraidamente do que quer e do que lhe apetece!
      :)

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    3. Bem Olga eu nem sei muito bem o que dizer porque honestamente eu amava ter escrito letra por letra do teu comentário! OBRIGADA! É exactamente essa a mensagem que a anónima precisava ler (que para mim de anónima já nada tem).
      Obrigada eu por ter leitoras como tu a acompanharem esta minha jornada.
      Um grande beijinho

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  6. É sempre um prazer ler as tuas publicações, revejo-me em cada parágrafo teu.
    Nunca diria que os chapéus tivessem sido um big no para ti.
    Beijocas princesa <3

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    1. Eu sei que não é fácil acreditarem que para mim certas peças eram uma verdadeira barreira, mas vais ver que haverão ainda mais umas quantas peças que te vão parecer impossivel.
      Um grande beijinho

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  7. Aloha,

    Parabéns pelo primeiro ano a desfilar beleza, adoro o movimento Portugal Curvy!
    Quanto ao chapéu, adoro parte 2. Tenho alguns, mas ainda os uso poucas vezes, confesso.
    E quanto a tudo o resto, adoro parte 3, de facto com o tempo vamos saíndo da concha, não só com o passar dos anos mas também com o apoio e força de toda a malta linda que nos acompanha.

    P.S. Também estou a dar os meus passos neste universo plus size e espero que não consideres intrusivo ao colocar aqui a minha página e blog que focam-se na Positividade Corporal. Não sendo portanto o foco sobre moda mas mais sobre outros contornos de uma vida em grande: https://www.facebook.com/100verg0nha/ e https://100verg0nha4ever.wordpress.com/

    Grande beijoca XXL assinada com baton :*

    P.S. quanto ao comentário acima, isso é um fenómeno que está a acontecer muito, ou seja algumas pessoas magras, as privilegiadas da sociedade estão a ficar enfurecidas com o movimento das mulheres grandes e com a visibilidad que estão a alcançar, e como não nos conseguem calar, querem entrar nele "à força toda" e tomar posse do mesmo.
    Comportamento esse que é típico de opressores, de invejosos, de maiorias, etc. CARGA NELES!

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    1. Não me importo nada que partilhes o teu trabalho :)
      Eu acredito que inspiração nunca é demais.
      Só gostava de esclarecer uma coisa, eu não acredito que as pessoas magras são "as privilegiadas da sociedade" como escreveste... eu acredito que as pessoas privilegiadas são aquelas que conseguem ser livres, felizes e aproveitar a vida plenamente. Essas sim, têm o privilégio de viver a vida nesta sociedade condicionada.

      Beijinhos

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    2. Obrigada pela tua resposta.
      De facto devo ter-me expressado mal, elas são as privilegiadas pela sociedade ou seja a quem a sociedade dá mais valor. Não são as privilegiadas da sociedade que de facto são as pessoas que mencionaste e com toda a razão.
      Eu referi-me a quem a sociedade dá mais voz, "mais canal" tal como outras pessoas em tantas outras esferas ou seja, homens perante mulheres, brancos perante negros, heteros perante lgbts, etc.
      Se acho isso certo? Não, não acho mas infelizmente é real, é o que temos nesta sociedade cheia de condicionalismos e padrões.
      Se irei fazer o que for preciso para combater isso, com certeza que sim. Eu, tu e tantas mais e isso passa precisamente por sermos livres, felizes e aproveitarmos a vida em pleno. Mas creio que também passa por trazermos à tona questões pertinentes, polémicas e desconfortáveis, sem medos, sem tabus, sem vergonha.

      Grande abraço

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  8. Olá Ana fico tão feliz por ver que cada dia que passa consegues encontrar-te mais um pouco, que estás a deixar de estar prisioneira a ideias que te fazem infeliz.

    Beijinhos

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    1. Muito obrigada querida Emilia, acho que o tempo quando não passa em vão vai dando sempre mais e mais oportunidades para chegarmos mais perto da plenitude que muitos de nós deseja.
      Beijinho grande

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  9. O teu texto foi lindo e sinto-me muito priveligiada em poder acompanhar o teu blog porque tu és incrível.

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    1. Oh querida Noono, um privilégio é podermos estar a fazer este caminho juntas!
      Um grande beijinho

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  10. Olaaa :)
    É para chorar?
    Os vossos testemunhos são deliciosos. Somos humano...
    Beijokitaz

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    1. Querida Miss L, se te emocionarem, se te identificares com as palavras que deixamos então chora se assim te apetecer. O importante é mesmo entenderem o que escrevemos e acreditem que qualquer mudança, evolução é possivel.
      Beijinhos

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  11. :) poderosa... como sempre eu te conheci ;)
    Tu escolheste o chapéu e eu... um vestido comprido, sem corte e justo. Que não usava pq me fazia sentir gorda e com o aspecto de grávida tamanho é a minha barriga... mas é super confortável, é o meu estilo e a minha cara!
    Quebrei aquela barreira no 1º dia q saí a rua com ele... e gostei!
    Go girl, adorei ler-te
    xoxo
    iso

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    1. Oh querida Iso, nem imaginas como me emociona ver cada passo de gigante que vamos dando, juntas, neste caminho que estava destinado a ser mudado por todas nós.
      ADOREI!
      Obrigada de coração e por tudo!
      Beijinho gigante

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