As rotinas não matam.


Desde sempre que ouvimos dizer por aí "a rotina mata o amor", "mata a paixão", "a rotina mata os casamentos"... entre tantas outras coisas. Mas, afinal a culpa de tudo desmoronar é da rotina?

Desde há uns dias que não ando na melhor forma, seja devido às hormonas, aos astros ou a outra coisa qualquer, a verdade é que me sinto desequilibrada emocionalmente, irrequieta, sem saber o porquê. Sem explicação, estes dias tenho andado com aquele tremer interior que nem eu sei verbalizar por não entender o porquê de me sentir assim.

Mas, ontem apetecia-me chorar e como faço sempre, chorei. Percebi quando estava sozinha que estava a trancar dentro de mim tudo aquilo que me doía. Estava a fechar-me mais uma vez, a distanciar-me daquele que me quer sempre ouvir, que me estende a mão para me proteger num abraço. Sim, ao fechar dentro de mim aquilo que me dói, fujo dele, deles. Fecho-me num mundo que está longe de ser o meu.
O meu T. mais novo está a passar por um processo em que exige muito de todos nós. Exames e a espera dos resultados são para mim um peso nas costas que andava a guardar sem partilhar sequer com os que me são essenciais na vida.
Percebi que este desequilíbrio vinha disso mesmo, daquele comportamento de sofrer em silêncio, sem partilhar com aquele que me quer ouvir, as coisas que me vão pesando na alma.
Digo-vos isto agora porque só agora me sinto capaz de entender o porquê de me sentir assim.
Ontem parei. Desabafei a dor que trazia dentro de mim. Ele ouviu e é incrível como este ser humano aprendeu a ouvir.
Respirei fundo, daquelas respirações que nos deixam o peito gelado por termos tocado tão profundamente no vazio que aquela dor nos deixou ao ir embora.

Sabem, percebi com o tempo e sobretudo com os meus erros que as rotinas me são essenciais. Aquela rotina do beijo e abraço de boa noite dos e aos meus. Aquele beijo de bom dia e aquela frase "bom trabalho" ou "boa escola" me são essenciais.
Sei que preciso daquele meu pequeno-almoço sozinha no silêncio da minha casa.
São tantas as rotinas que me fazem sentir no sítio certo, com as pessoas certas. São as rotinas que me reconfortam ao saber que é aquilo que me faz sentir "em casa". São as minhas raízes.

Dou-me conta que hoje em dia associamos várias vezes a infelicidade, os momentos de incerteza, os descontentamentos, as hesitações à falta de algo, de alguém ou porque ainda não alcançámos isto ou aquilo.
A vida ensinou-me que estes sentimentos menos claros, menos inexplicáveis não são por falta de algo ou de alguém, não são insatisfação. São sim, sentimentos que me alertam para o facto de eu me estar a distanciar daquilo que me acalma a alma, que me equilibra.
Hoje em dia é tão fácil culpar a rotina por nos termos distanciado, por nos termos deixado levar pela corrente. É fácil dizer que a rotina é que nos tirou o amor. É que nos tirou a liberdade e o ser feliz.
Mas caramba, onde andamos nós para criar rotinas que não nos ajudam em nada? Onde andamos nós para ter rotinas que não amamos, que não nos fazem bem?
Afinal rotinas, são atos que repetimos vezes sem conta. E esses atos (ou lá o que lhes quiserem chamar) devemos admirá-los, gostar e ver neles algo de positivo para os repetirmos vezes sem conta.
As rotinas não matam nada. Aquilo que nos mata é ser infeliz, é não procurar o que nos faz bem, o que nos equilibra.
O que nos mata é a insatisfação constante por não ter algo que vimos ou ouvimos dos outros. O que nos mata é a não apreciação de todo o amor e dedicação que pode estar à nossa volta. O que nos mata é ignorarmos tudo aquilo que está ali mesmo ao nosso lado, ignorar os que são nossos.
Isso sim é que mata.

As rotinas não matam. O amor não morrerá por eu continuar com a minha rotina de ler um livro no silêncio que me é preciso. O amor não morrerá por eu precisar daquele beijo de boa noite. 


As rotinas não matam. O que mata é a infelicidade que carregas para tudo sem te preocupares em encontrar equilíbrio no(s) que tens à tua volta.

10 comentários:

  1. Às vezes nem damos o devido valor a quem temos ao lado e nos pode ajudar a carregar o mundo!

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    1. Verdade! Andamos por vezes muito distraídos :)

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  2. O que nos mata é quando um dia nos faltar as rotinas da vida em família. Confesso que para mim é indispensável o Beijinho de Bom dia e de Boa noite, sempre todos os dias. Tanto ao marido como ao nosso pequenino bebe....

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    1. Engraçado que eu também acho, a fase em que mais destabilizada andei foi mesmo quando perdi certas rotinas que depois com o tempo percebi que me eram essenciais e voltei a "construi-las".

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  3. Completamente, as rotinas contribuem para o equilíbrio da nossa vida!
    Love*
    Treze Mundos

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    1. Também acredito muito nisso Catarina, desde que as rotinas sejam criadas numa base positiva.
      Beijinhos

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  4. É tão isso..... E são sempre nele (s) que carregamos a nossa energia. E cnunca o que nos faz bem pode matar. Nunca. Digam lá os ditados populares aquilo que digam.
    <3

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    1. É isso mesmo minha gémea. Desde que não nos habituemos a algo que não nos é positivo, será sempre para a frente ;)
      Beijinho gigante

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