À Maria...


A Maria é uma leitora minha que já me acompanha à algum tempo. A Maria deixou-me um comentário que me fez chorar tanto, que me fez viajar no tempo e parar na fase da minha vida que me custa imenso lembrar.

A Maria diz-me vestir um número. Um NÚMERO que não lhe agrada. Que a derrota e a deixa sem confiança. A Maria resumiu a sua autoestima a um único número. A um tamanho grande. Mas, a Maria não é a única. A Ana, a Ana também já foi uma Maria.

A MariaAna é assim que tratarei o meu eu antigo, já se resumiu a um número, a um número 54. Mas, antes de chegar aquele número a Ana já não era Ana. E é isso que eu gostava de vos contar.
Eu não acredito que seja o nosso tamanho maior ou mais pequeno que nos derrote, não acredito que a autoestima, a confiança, a coragem, o ser decidida se resume a uma imagem. Não acredito nisso.
Sei que já fui muito mais magra, sei que continuei sempre a andar com os olhos postos no chão. Que jamais usaria o meu casaco vermelho ou o meu vestido justo mesmo pesando 40kg a menos. Eu sei que não usei. Acredita Maria que não é um número mais baixo que te vai fazer gritar na rua "eu sou maravilhosa". Não é um corpo mais magro que te dará a coragem de enfrentar as criticas de um mundo que se esqueceu dos sentimentos do ser humano.

Maria, eu sei que estás por aqui há tempo suficiente para me conheceres um bocadinho, sei também que já te deixei escrito que a mudança começa lá dentro, naquela capacidade em aceitar quem és e trabalhar naquilo que te pode incomodar. Sabes que a MariaAna só conseguiu erguer-se quando trabalhou o que lhe ia dentro do coração... ou melhor, da cabeça.
Olha para ti! Quem és? De que tens medo? O que te pesa? Sim, Maria, acredita que eu sei que a dor pesa e que por mais que queiramos esconder uma dor ela estará por lá sempre, mesmo que escondida.
Sabes, eu acredito que todos os que não aceitam a pessoa que são carregam uma dor, que por vezes acham que não é tanta dor assim pois aprenderam a escondê-la. Podemos esconder uma dor aos olhos dos outros. Claro que sim. Mas poderemos nós esconder uma dor que é nossa de nós próprios? Caramba não. Acredita que não. E até pode doer, porque acredita que vai doer enfrentá-la. Fazer frente aquilo que dói é o nosso primeiro grande passo de coragem, aquela que ficará para nós como uma força que nos tornará invencíveis.

Sabes Maria, a MariaAna deixou de acompanhar os filhos à praia, deixou de correr e passear com eles na rua. A Ana que sou hoje chora vezes sem conta por tudo aquilo que se proibiu fazer com aqueles que ama acima de tudo. Olha para a tua miúda, já viste quem criaste? Já viste onde chegou? O que conquistou? E sabes uma coisa Maria, na vida nada mais valorizante existe que ser pai/mãe a sério, daqueles que acompanham, que dão colo ou que dizem não.
Sabes Maria, vivi muitos anos num mundo de "se". "Se os meus pais tivessem sido pais". "Se eu tivesse recebido pais a sério teria estudado ainda mais". Se... e tantos se...
Hoje não vivo mais com "se", mas tudo isto para te dizer que não podes, não podes mesmo resumir-te a um número. Caramba Maria! Um número leva-te a ter falta de confiança em ti? Leva-te a achar que não és linda? Oh Maria pudesse eu abraçar-te agora e diria ao teu ouvido "Como eu gostava ter tido uma Mãe orgulhosa ao ver-me receber o resultado do nosso esforço". Maria olha bem para quem és e verás que o número é só um detalhe de quem vende roupa.

Sabes, podem dizer que "falar é fácil", mas esta Ana que achas linda, corajosa, confiante já foi uma MariaAna. Já. Já se resumiu a um nada. A um 54 vazio por dentro.

Não deixes que a tua passagem se resuma a um número, não deixes. Vai lá buscar aquela camisa com que tu dizes parecer um saco de batatas. Vai lá e veste umas calças de ganga por baixo e para que o teu 1m60 se veja bem abre os botões todos até à cintura. Levanta-me essa cabeça e vai desfilar para o mundo saber que nasceu mais uma grande Mulher.

7 comentários:

  1. Obrigada Ana pela força! Um beijo directo do coraçao!

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    1. Sempre sempre que precisares eu estou aqui ❤️😘😘

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  2. Ana, texto inspirador. Tenho idade para ser sua mãe, mas apreendo sempre um bocadinho quando fala de si e da auto estima. (que não se resume só a quem tem excesso de peso. Desenganem-se.... É lendo textos como estes que todos os dias apreendemos a gostar mais um bocadinho de nós e a poder, assim, dar mais aos outros. Abraço. Carolina

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    1. É engraçado que eu sempre disse que não é a idade que nos ensina, mas sim a abertura que temos em relação aos outros. Eu por exemplo digo sempre que são os meus filhos que me ensinam a ser Mãe, são os miúdos que me fazem acalmar quando acho que estou nervosa demais.
      Que a partilha seja a nossa riqueza independentemente dos detalhes (idade, tamanho do corpo ou cor de pele ❤️).
      Um forte abraço minha querida 😘😘

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  3. Mandei-te um email com o titulo "UmaMaria". Bjs

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  4. Este textos vão sempre ajudando a superar os kg's que ganhei na gravidez. Nunca fui magra nem ambiciono ser, mas gostava sim de perder alguns dos que ganhei para me sentir melhor e para que as minhas roupinhas me voltem a servir. Já consegui perder alguns, mas ou outros está difícil, não estou a arranjar o tal incentivo. E muitas vezes quando vou ao guarda roupa ver que nada da estação passada me serve, fico triste, choro e lá se vai a auto estima...

    Bjinhos a Todas as Ana's, Maria's por este mundo fora...

    Vânia Ferreira

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    1. Querida Vânia, aceita acima de tudo a pessoa que és. Acredita que depois com a força que ganhas, com as escolhas que passarás a fazer com mais confiança, esses kilos irão embora a seu tempo. Sem que a tua auto-estima fique abalada por uma imagem exterior. Acredita.

      Grande beijinho

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