Participação #1 - E SE FOSSE CONSIGO?


Foi em dezembro que apanhei o avião rumo a Lisboa. Despedi-me dele num abraço que me seria necessário, apesar de calma e serena, sabia que me esperava uma conversa sobre o tema que me levou a criar este blog.

Estava a recuperar de uma valente constipação, mas o sorriso e o brilho nos olhos por poder chegar ainda mais perto de quem ainda se vê através dos outros fazia-me querer muito que aquela conversa acontecesse.
No aeroporto estava a A. e o R. à minha espera. Sorri-lhes e tratei-os como trato qualquer pessoa, com à-vontade e com aquilo que mais me caracteriza, conversa, palavras e sentimentos que transporto comigo. Falámos de tudo e mais uns quantos assuntos em nada relacionados com aquilo que eu iria falar. Chegámos ao sítio. Cadeira no lugar e uma conversa à nossa espera. Sentia-me confiante, ouvida e aconchegada junto de duas pessoas que acabara de conhecer mas que já me diziam tanto!

A A. lembrou-me este texto, que escrevi num dia em que as lágrimas me escorriam pela cara ao relembrar cada sentimento vivido durante anos. "Nem sempre foi fácil"... foram estas as palavras que abriram o meu coração e que transportaram a A. até ao meu eu mais profundo e lhe mostraram as feridas já saradas mas não esquecidas que esta vossa Ana guarda e guardará sempre. 
Se doem a cada segundo da minha vida? Não claro que não. Se vão deixar de doer um dia? Acredito que não mas vivo bem com isso. Se me custa reviver e perceber que aquilo que eu vivi não é uma exceção nesta sociedade de máscaras? Custa, custa muito.

As lágrimas, as feridas, não são só minhas. São nossas. De todas/os aquelas/es que ainda hoje se escondem da vida.

Que por favor, isto pare.
Não te cales, se doer diz! Se te incomodar algo, fala! Não te diminuas perante quem quer que seja apenas porque o TEU corpo é diferente daquilo a que os outros rotularam de "perfeito".
Levanta a cabeça. Sim, não faças como eu que contava as pedras da calçada enquanto andava apenas para não cruzar os olhares de quem se cruzava comigo nas poucas vezes que me via obrigada a sair à rua. Não o faças. Só te estarás a torturar a ti e nada mudará se continuares a encarar os teus dias desta maneira.
Levanta a cabeça, olha para mim, não hesites em falar, em gritar, em chorar. Mas levanta. Levanta a cabeça, estás VIVA/O e isso é a maior felicidade que podes ter. Lembra-te, a vida acaba ali numa esquina e não poderás voltar para mostrar aquilo que escondes à sociedade. A pessoa maravilhosa que és.

Não deixes mais que te tirem a única coisa que vale a pena, a vida!

14 comentários:

  1. Nunca mais é segunda-feira! :)

    Jiji

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    1. Ai querida Joana nem imaginas como me sinto. É um misto de leveza por ter sido uma conversa tão intimista, tão transparente e ao mesmo tempo nervosa pois só com o tempo fui realizando aos poucos a dimensão deste passo.

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  2. Vou acompanhar tudo minha querida!! 😊😊😊
    Admiro muito a tua força e determinação!

    Beijinho

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    1. Oh querida Ana <3 Um gigantesco obrigada por tudo. Acima de tudo espero conseguir transmitir aquilo que foi aquela viagem no tempo e emoções. Espero de coração que se sinta o quanto transparente fui.
      Grande beijinho

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  3. É 2a feira em que canal?

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    1. Olá :)
      É na próxima segunda-feira dia 25 de abril junto ao Jornal da Noite na SIC pouco antes das 21h.

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    2. olá Ana, estarei a ver com toda a certeza , e até já estou ansiosa ( coisa que não sou ) ;) um beijo grande

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    3. Espero de coração querida Paula que chegue até vós cada sentimento que pus nas palavras que por lá deixei :)

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  4. Sabes se depois posso ver na net?

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    1. Poderás sim Carolina, por norma fica disponivel no site da Sic Noticias, mas partilharei também aqui no blog :)

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  5. Anónimo22.4.16

    Olá Ana,

    Estou muito curiosa para ver esse testemunho que tanto me ajudou!
    Vai ser um programa emotivo de certeza :)

    Beijinhos
    E.H

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  6. Anónimo24.4.16

    Que diria a outra Ana , aquela que se fechava, que não saía, que não brincava com os filhos se lhe contasses que um dia terias o direito de estar na televisão, tão leve e verdadeira... Assumida... a falar de si e a sorrir de boca cheia para a vida? Diria talvez que estavas louca! É estás... E ainda bem!!! Um beijo Lili

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    1. Ai Lili, fizeste-me viajar no tempo. Aquela Ana se algum dia eu lhe contasse que merecia ser gente e andar de cabeça levantada ela choraria e diria que eu era uma louca e que não passava de uma sonhadora. Por isso se aquela miúda me visse hoje não diria grande coisa, choraria sem parar no silêncio de um gigante abraço. Com a certeza que os sonhos se realizam.
      Um beijo enorme

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