Self-Love


Visto estarmos em plena semana do amor achei que seria uma excelente ideia falar-vos de algo que me é muito importante, que foi uma das minhas maiores conquistas e que acho honestamente que todos necessitamos, mas que muitas vezes perdemos pelo caminho, o amor-próprio.
É esse tal de amor-próprio, aquela coisa bonita que toda a gente devia ter, mas que infelizmente nem todos o conseguimos encontrar e fazer evoluir connosco.
Como já vos contei em alguns dos meus textos foi coisa que perdi desde muito cedo… ou será que nem nunca o desenvolvi?
Muito desta falha “humana” esteve sempre ligada diretamente a um físico que nunca foi “normal” e que foi realçada ao longo dos anos graças a terceiros que faziam questão de o lembrar usando as piores palavras que alguém poderia ouvir.
Sendo eu Mãe hoje em dia dou-me conta da importância das palavras nestas tenras idades, dou-me conta o quanto uma palavra pode ser destruidora ou reconfortante.
Muitas vezes me perguntam que fiz eu para chegar “aqui”. Suponho que o “aqui” seja a palavra que resume “como fizeste para te amares?”. E podia simplificar tudo e responder “aceitei-me”. Mas será assim tão fácil? Como todos sabem, não foi, não é.
Foram anos a resumir-me a um corpo, e como nunca amei este corpo foi “natural” crescer vazia, sem valor. As palavras podem mesmo fazer com que acredites que não vales nada, acreditares que não passas de um corpo vazio e só.
E como por um ponto final nesta ideia? Nesta pessoa que nem ela sabe quem é?
Nem mesmo quando os outros acreditam nas tuas capacidades tu as consegues ver, porque infelizmente já passaste anos a acreditar que não valias nada.
Não foi num dia, foram em vários meses, anos que aprendi a ser gente, a ver quem realmente era para além de um corpo, para além das palavras que alguém teimou em fazer com que decorasse.
Um dos exercícios mais importantes foi perceber onde parei “de ser gente”, ir lá atrás buscar aquela criança e reconstruí-la. Fazer com que crescesse aos poucos até reencontrar a Ana adulta.
Lembro-me que um dia, numa das minhas sessões de hipnoterapia dei a mão à Ana pequenina, lembro-me que nesse dia “acordei” daquela sessão com uma filha. Uma filha, de uns 6 anos de idade, cheia de feridas que por mais estranho que pareça estavam ali visíveis como se aquela minha dor interna se traduzisse por uns “riscos” na pele da minha nova “filha”. Foi “ela” que me acompanhou durante os anos em que me dediquei a mim, foi “ela” que foi crescendo comigo, até que, quase dois anos depois “ela” se tornou adolescente, com feridas ainda visíveis, mas muito mais serena, capacitada de que era gente, e nesse dia sentei-me frente a um espelho e conversei com “ela”, durante horas. Chorei com “ela”, ouvi os seus gritos de dor, os seus “se” e as suas questões sem resposta. Abracei-me. Pode parecer loucura, mas nesse dia as duas Ana fundiram-se. (Sabem aquela imagem dos desenhos animados do Dragon Ball?! Foi mais ou menos assim (risos)).
Fui Mãe de mim mesma, renasci assim. Continuo a construir-me como pessoa e farei tudo isto até ao fim dos dias. Já não existem feridas, agora são apenas cicatrizes que me relembram o caminho a cada vez que me cruzo com alguém que por qualquer motivo (ou não) me tenta diminuir. Me reduzir a algo ou alguém que não sou.
Foi no dia em que me fundi com a Ana do meu passado que encontrei amor-próprio, que me dei valor pela pessoa que busco ser.
Acreditem que não é de um dia para o outro, mas também de que vale adiar? De que vale esperar para ser feliz quando podem começar a reconstruir uma vida já? Agora?

Nunca deixem que vos minimizem porque algo em vós não lhes agrada. Nunca, nunca mesmo! São essas pessoas que vos roubarão a vida. Amem-se muito. Acima de tudo, pois isso nunca será convencionismo, será apenas uma força única em vós que vos permitirá tomar decisões e assumi-las até ao fim sem que vos façam baixar os braços.
Já fui uma pessoa cheia de dúvidas e inseguranças e isso sim, afastou de mim pessoas que gostavam seriamente de mim, mas a quem eu nem sequer dei a possibilidade de ficar por duvidar de tudo. Normal, até de mim duvidava.

Hoje sei o que é amor-próprio, foi ele que me ensinou qual o caminho para emagrecer. Foi ele que me ensinou que na vida eu posso tudo, que me deu as forças necessárias para tomar decisões e assumi-las sem desistir.

Ganhei a palavra amor-próprio, perdi a “desistir”.

9 comentários:

  1. Que boa essa fusão, Ana!
    Ao ler o teu texto lembrei-me de um malmequer que foste desfolhando, arrancaste todas as pétalas de "mal me quer" e aprendeste o "bem me quer".
    Continua a espalhar por aqui essas pétalas. Por quem ainda só desfolha as pétalas erradas.
    Um beijinho!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Que ligação mais perfeita tu fizeste!
      Enquanto valer a pena por todas nós, cá continuarei ❤️
      Um enorme beijinho!

      Eliminar
  2. ̂Tocas -me com tudo o que partilhas, adoro-te

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Oh minha querida Juliana ❤️ Que assim seja, sempre.
      Um grande beijinho ❤️

      Eliminar
  3. Ana és um ser muito especial. Bjs

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sabes, eu acho que sou só gente que não se esqueceu de ser acima de tudo isso mesmo, gente ❤️ Infelizmente anda meio mundo esquecido do essencial, mas que nós não façamos parte desse lote.
      Um enorme beijinho.

      Eliminar
  4. Ana, bom dia. Será que me podias dar o nome dessa hipnoterapeuta? Muito obrigada

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Diana!
      Claro que posso, é na clinica Neurolis (pertinho do Marquês de Pombal em Lisboa) com a Dr.ª Maria José Gil.
      Deixo-te o site para poderes espreitar e ver também os acordos que eles têm.
      Um beijinho e qualquer coisa que precises já sabes ;)
      http://neurolis.pai.pt/

      Eliminar
    2. muito, muito obrigada ♥

      (ps. tens sido uma verdadeira inspiração para mim... obrigada de todo o coração. beijinho grande)

      Eliminar

Please feel welcome!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...