Esta merda dos Regimes Alimentares! #3


Esta é talvez a minha "aventura" mais difícil de vos contar. E porquê? Porque mesmo depois de ter passado muito mal com a ultima medicação para emagrecer como vos contei aqui, ainda me fui meter nestas andanças. Pior, já era adulta, dona da minha vida e Mãe!
Lembro-me de me encantar com tudo o que fui lendo na internet, os testemunhos na página da clinica, as fotos (como se não fossem todas as clinicas assim...). Cheguei a casa e marquei uma consulta, sem contar a quem quer que fosse. Foi tudo muito rápido. No dia anterior à consulta confessei ao marido a minha decisão, e foi aí que aquele que sempre me apoiou se transformou por completo. Disse-me que não apoiava, que eu era maluca, que isto e aquilo. Disse-me tudo o que sabia e o que já tinha ouvido sobre a clinica em questão. Mas todas nós sabemos que quando uma ideia nos entra na cabeça, já nada há a fazer.
Depois do trabalho, ele levou-me à clinica, no trajeto a única coisa que dizia era para eu parar com esta loucura, o seu discurso em nada mudou apesar de eu o ter enchido com os meus argumentos que pouca validade tinham pois nem eu sabia do que estava a falar.
Uma torre de apartamentos à minha frente, entrámos (sim, que ele não apoiou nunca esta minha consulta mas também nunca me deixou sozinha). Esperámos na sala, ouvi o meu nome e lá fui eu. Um doutor que não aquele que dá o nome à clinica atendeu-me. Perguntou porque é que eu estava ali, apontei-lhe para o meu corpo e perguntei "Não se vê?". Ele riu-se. Perguntas comuns num questionário de saúde, antecedentes, medicação tomada etc...
Disse-me no fim daquele questionário que eu teria de ir buscar uma medicação que ele me iria passar a uma farmácia especifica, ali para os lados do Martim Moniz. Menos de 20 minutos. Sem análises a fazer e uns quantos comprimidos a ir buscar. Hoje penso nisto, na altura só olhava para o objetivo final.
O marido quase arrancava o coração quando me tentava fazer esquecer aquilo que eu estava a fazer, mas fui buscar os medicamentos na mesma, frascos de plástico com uma etiqueta feita no local, sem nome, sem os componentes. Nada. Era apenas tomar e confiar. Mas confiar em quê? Em quem? Nunca sequer pensei nisto e isso, isso é que me dá vontade de esbofetear não eles, mas a mim própria.

Duas semanas, quase duas semana a comprimidos, água e muito pouca comida. Estava a almoçar no refeitório do meu local de trabalho, uma mesa corrida onde estávamos mais de dez pessoas. Sentia-me cheia de calor, transpirava e as coisas "bailavam" num vai e vem à minha volta. Ouvi um "Ana, estás bem? Estás tão branca e a transpirar". Não estava. Chamaram um dos chefes, que se debruçou e me disse "Ana, tens de ir agora ao médico". Mais uma vez, liguei ao marido, foi buscar-me e uns minutos depois ali estava eu sentada no antigo British Hospital em Campo de Ourique.
A enfermeira veio buscar-me, aquele Doutor com mais de 60 anos, olhou por mim. Já passava das 12h quando começou a busca do meu "problema". Análises com resultados urgentes, uma endoscopia com sedação, ecografias a tudo o que possam imaginar. Chamada por uma gastroenterologista. Passava das 21h quando aqueles dois médicos olham para mim e me dizem, "tem de ser operada, vai amanhã de manhã falar com quem a irá operar". A gastroenterologista mostrava o seu descontentamento para com os procedimentos daquela clinica, tentava ensinar-me aquilo que eu já sabia, mas não queria ouvir naquele momento.
Aquela noite já com antibióticos passei-a em branco. No dia seguinte, numa sexta-feira, ouço do cirurgião, "tem uma bomba-relógio dentro de si, não a posso operar já". A vesícula estava infetada, tinha bílis no estômago, não podia ser operada naquelas condições com risco de correr mal e... pois. (Não confundir a retirada da vesícula como algo de perigoso quando associada a pedras devido a colesterol elevado, coisa que nunca tive. E neste caso nem sequer era esse o "perigo", era sim a infeção que para o caso de rebentar poderia ser fatal.)
Tomar antibiótico durante o fim-de-semana, segunda-feira estaria na clinica. E assim foi. Fui operada, retiraram a vesícula e fizeram umas biópsias a "corpos estranhos" no estômago.
Saí dali no dia seguinte com a certeza de que NUNCA mais ingeria medicamentos para emagrecer por muito que me dissessem que eram "bons" e "funcionava".
Ainda hoje, sou uma "viciada" em endoscopias para controlar as sequelas daquela aventura.


Mas aprendi, assim, da pior das formas, que o caminho para o emagrecimento não poderia passar por loucuras nem seria algo que eu obteria com medicamentos "milagrosos" como nos vendem por aí.

Para a próxima falo-vos do balão intragástrico... sim, sim, aqueles balões no estômago que deixaram de ser utilizados em vários países mas que ainda encontramos "disponiveis" em outros.

16 comentários:

  1. Anónimo26.2.16

    Agora até fiquei de coração apertado. Nunca pensei que já tivesses passado por isto tudo para te sentires melhor e mais magra. Realmente às vezes só pensamos num objectivo é nunca nas consequências das mesmas. Ainda bem que superas te isso �� És forte.
    Por acaso nunca me deu para me meter nessas coisas sempre tive noção que para emagrecer apenas funcionava ter uma alimentação saudável e exercício. Não existem milagres.

    Beijinhos
    E.H

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  2. Caramba, Ana...que dose :( às vezes quando metemos na cabeça uma coisa não vemos mesmo o que estamos a fazer - vendo de fora facilmente se percebe que a coisa daria para o torto :\

    Jiji

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    1. Querida Joana, a questão é essa mesmo. Quando estamos tão obcecados com um resultado acabamos por não ver sequer o que nos "vendem"... Que estes meus testemunhos sirvam para alertar quem pesquisa na internet "soluções milagrosas" :(

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  3. Xiiiii Ana até eu fiquei arrepiada😨,mas eu entendo pois já tomei tudo ou quase tudo quando pesava 96kg,mas nunca tive nada assim grave

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    1. É como costumo dizer, somos todos tão diferentes que quando nos propõem tomar o mesmo que tomam todos os outros deviamos questionar pois aquilo que é bom para uns pode ser péssimo para outros...

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  4. Ai, Ana...que aprendizagem tão dolorosa é preciso fazer às vezes. Um beijinho. De coração.

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    1. É mesmo Maria, mas foi uma aprendizagem que me fez ter medo de medicamentos, até aqueles que não são para emagrecer hoje em dia eu evito :/

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  5. Uma historia daquelas que devia ser divulgada para servir como case study.

    Bom fim-de-semana

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    1. Acredita que pelas mensagens e histórias que vou recebendo o meu caso não é único... Só tenho pena que não sejam públicas para que quem pesquisasse sobre este método pudesse ver os riscos :(

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  6. A mim aconteceu me mas foi no póvoas. Comprimidos com merdas que nem eu sabia o que eram, comia mais comprimidos do que comida normal. Naaa disse chega, pra mim não dava engordar os bolsos de quem acha que percebe alguma coisa de obesidade e emagrecer o meu cérebro de tanta frustração e dietas falhadas. Agora estou por minha conta e risco a tentar eliminar o peso de uma vida a compensar as dores com comida...

    Beijinho
    www.blogasbolinhasamarelas.blogspot.pt

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    1. Na altura escolhi o Tallon por ficar perto de onde eu estava mas disseram-me que o sistema é o mesmo. Medicação manipulada, igual para todos.

      Já reparaste que a palavra "dor" está junta com a palavra "comida"? Talvez seja um sinal de que o teu excesso de peso não esteja ligado directamente a comida mas sim a "dores". E daqui falo pela minha experiência, só quando "soltei" a dor é que consegui começar a perder peso com consciência e sem stress ou infelicidade ;)

      Beijinho

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  7. A minha questao è... chegaram À conclusao que tinha sido um efeito adverso dos comprimidos?

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    1. Não escreveria a minha experiência se não a tivesse vivido e obtido respostas :)
      Depois de facultar aos médicos que me seguiram a medicação manipulada e de um mês entre exames e consultas sim, o relatório final associou o que me aconteceu à medicação tomada.

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  8. Anónimo28.2.16

    Oh querida Ana, agora fiquei com o coração apertado.
    Não fazia ideia que tinhas passado por estes processos todos, só para te sentires bem. Realmente quando metemos uma ideia na cabeça, não descansamos até à concretizar :( És muito forte! O teu testemunho vai ajudar muitas pessoas e é um acto de coragem :)
    Por acaso, nunca tive essas ideias. Sempre tive noção que para emagrecer tínha que mudar a minha alimentação e fazer exercício. Antes isso... posso só ter tido essa iniciativa agora mas ainda vou a tempo para gostar de mim mesma.
    Este blog é tão especial para mim! Obrigada Ana :)

    Beijinhos
    E.H

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    1. Oh minha querida Eliana, tal como já mencionei nada desta mudança aconteceu num estalar de dedos... Infelizmente enquanto eu não me tornei forte, enquanto eu não sarei as feridas a minha mente só queria uma coisa, emagrecer independentemente do que isso exigisse. Felizmente "acordei" a tempo mas nem sempre andei de cabeça erguida, nem sempre soube quem era e muito menos me amei.
      Felizmente ainda estou viva e decidi viver cada segundinho muito intensamente com a calma e leveza que a vida merece ❤️
      Um enorme beijinho ❤️❤️

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  9. Passei por uma dessas «dietas». Noutra clínica com o nome do médico que por acaso nem nos atende. Tomei os comprimidos manipulados. Comia normalmente, mas bebia imensa água. Entretanto, o meu pai foi diagnosticado com insuficiência renal e em pesquisa sobre o assunto percebi que essa medicação milagrosa poderia causar o mesmo. Falência renal devido ao esforço que os rins fazem. Deixei a medicação e não só ganhei os 20kg que tinha perdido como juntei mais 10. Enfim, mais vale mesmo ser feliz com o nosso corpo.

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