Esta merda dos Regimes Alimentares! #2


Há uns tempos partilhei convosco o inicio da luta contra o corpo, tinha 11 anos, comecei pela intragável sopa de cebola que prometia em tudo o que era revista fazer verdadeiros milagres para quem consumisse aquela sopa. Eu fi-lo, comia a sopa e bebia agua, assim só, durante uma semana. Emagreci, claro que emagreci, mas também me lembro que foram necessárias vitaminas nos meses que seguiram. Um xarope laranja, de caixa branca e laranja onde desenhos de crianças diferentes sorriam de mãos dadas. É, aquela imagem nunca me saiu da cabeça.

Mas hoje falo-vos dos meus 15 anos. Tinha algum dinheiro guardado recebido no meu aniversário para comprar aquela prenda que me faria feliz. Feliz. O que é que na altura me poderia fazer feliz? Um corpo magro, claro. Afinal sempre vivi com a ideia de que só seria feliz quando fosse magra (sim, é isto que hoje em dia tento combater, para que sejam felizes na jornada...).
A internet essa ferramenta preciosa que me prometeu realizar este "sonho" à distância de um simples clique.
E ali estava eu, a comprar comprimidos que publicitavam um corpo esbelto e a promessa de me tornar uma verdadeira top model.
Chegaram, lembro-me de abrir a caixa e chorar. E rir. E encher o peito de determinação e esperança.
Afinal não custava nada! Tinha apenas que escolher 3 dias. 3 dias sem comer e apenas tomar aquela medicação com água. Nos restantes dias podia comer o que quisesse! Bingo! Tinha encontrado A solução, dizia eu no meu mais intimo pensamento.
A primeira semana... sentia-me tão estranha, mas determinada, cheia de convicções e certa de que aquela era a escolha a fazer e o caminho a seguir. De tal maneira (nada) consciente que nos dias em que podia comer de tudo, eu resumi as refeições a fruta e legumes, afinal eu queria era emagrecer o mais depressa possível.
Segunda-feira da segunda semana, sentia-me cheia de calor (quando em Bruxelas naquela altura não estavam mais de 10 graus), passei o dia na escola e ao almoço lá tomei a medicação com muita água, muita mesmo.
As aulas acabaram às 16h30, apanhei o autocarro e sentia a cabeça estranha, como que oca.
Estava em pé e agarrei-me à barra, estava a sentir-me mal. E puf. Não sei mais nada.

Abri os olhos e estava uma luz branca forte a iluminar aquele quarto. Silêncio e uns bips. Mas que raio se passa aqui, já fiz "merda" pensava eu.
Levantei a cabeça e endireitei as costas. Doía-me o pescoço.
Uma enfermeira dirigiu-se a mim e disse é tão bonita. Pediu-me que lhe explicasse o que andava a fazer e onde tinha encontrado aquilo, apontando para a mesinha ao lado onde estavam aqueles comprimidos "milagrosos" e a minha mochila no chão.
Lembro-me de chorar, de querer tanto um abraço para me esconder dos olhares e da vergonha, desespero que sentia.
Ali fiquei, precisava de soro para me poder levantar novamente. Eles apareceram à noite para me ir buscar. Chamaram-me ignorante, anormal. Eu olhei em frente sem pestanejar. Nem sabia muito bem se me queria levantar.
Fui para casa, desiludida com aqueles medicamentos que me fizeram sonhar, e comigo. Comigo por não ter aguentado, comigo por não ter conseguido emagrecer. Naquela cabeça a culpa não era daquela droga, não. A culpa era da ignorante, anormal e incapaz miúda que não conseguia ser magra.

Se podia ter aprendido a lição das dietas e medicação milagrosa? Podia... mas ainda não foi desta.

Falamos da nutricionista e do Talon para a próxima sim?

18 comentários:

  1. Uff. É uma ditadura que impomos a nós mesmas - ou que nos impõem e nós acabamos por aceitar. Tive uma amiga que aos 18 anos teve um AVC à conta desses medicamentos, que tomava em segredo (e ela nem sequer tinha excesso de peso). Triste, tão triste o que a falta de confiança nos faz...

    Jiji

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    1. A pressão dos olhares da sociedade assim como a imagem "perfeita" que nos vendem a cada esquina empurra muitos de nós para estas "soluções" independentemente do nosso estado físico... Infelizmente tanto nos apontam o dedo que nós passamos a ser os nossos próprios inimigos...
      Por saber a importância do amor-próprio é que faço questão de o defender acima de tudo aqui no blog. E que a partilha de roupa não seja só isso aos olhos de quem aqui passa. Porque a moda, usar aquilo com que nos sentimos bem também pode ser uma aliada para reconstruir uma auto-estima que foi perdida...

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  2. Quantas imagens refletidas no espelho da tua mensagem, querida Ana! Quantas de nós, gordas de berço, não estiveram no lado insano do emagrecer por milagre...Um dia eu acordei. Um dia tu acordaste. Quem mais precisa de acordar e perceber que o milagre somos nós que o fazemos...sem qualquer milagre! Um beijinho!

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    1. Maria é sempre um prazer enorme ler as tuas palavras.
      Se eu podia continuar a minha vidinha sem um blog? Claro que podia mas dar a conhecer ao mundo o lado de quem passa por tudo isto é para mim importante e se mudar a vida nem que seja de uma pessoa eu já ficarei feliz e poderei dizer que valeu a pena.
      Um enorme beijinho

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  3. Man!... que história! :O
    és um exemplo de vida!!!

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    1. Oh minha querida Cláudia, fosse eu a única a ter passado/ passar por isto e ficava feliz... Infelizmente andam por aí muitos casos destes escondidos.
      Beijinho

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  4. Como eu a compreendo Ana. Vivi e vivo na pele a mesma coisa.
    Um beijinho enorme e viva a nós! <3

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    1. Obrigada querida! Mas lembra-te viver isto não é aproveitar a vida ;)
      Um enorme beijinho :)***

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  5. Revi-me imenso nas suas palavras e compreendo perfeitamente cada palavra que escreveu. Eu nunca tomei medicamentos alguns para emagrecer, mas que fiz loucuras fiz. Emagreci? Emagreci, mas a que preço? Ficar dias infinitos a olhar para o vazio, com corpo fraco e desilusão, e depois ir para o hospital. Emagreci outra vez, mas desta vez lixei para as dietas malucas e para ter o tal corpo. Agora sou feliz, quero continuar a ser feliz e saudável - fisicamente e mentalmente <3

    ~ Carla'C

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    1. É incrível quantas de nós fazem coisas loucas para emagrecer. E só depois de muito sofrer passamos a perceber onde está a real felicidade. Um grande beijinho Carla!

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  6. Luisa Paula Belchior5.2.16

    Dieta dos ovos, dieta da sopa, dieta da cebola, batidos, comprimidos, nutricionistas, talons, banda gástrica... uma vida inteira de luta para chegar aos 49 anos com 140Kg e há 2 anos à espera do sleeve :(

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    1. Luisa todas estas dietas loucas só trazem frustração. Já pesei 136kg, hoje estou abaixo dos 100kg. A única receita foi mesmo deixar de querer que tudo fosse rápido e fazer escolhas tanto a nível alimentar como actividades físicas.
      Beijinho

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  7. Há muitos anos que faço dietas mas nunca fiz uma dieta louca...nunca. Andei em nutricionistas, fiz a Ágata Roquete, mas coisas que afaectassem a minha saúde, nunca. É um perigo.

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    1. Olá Dora :)
      É um perigo mesmo. Nas minhas dietas também está incluída a Àgata Roquette que infelizmente também de saudável tem pouco :(

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    2. Eu dei-me bem e foi uma fase que comia saudável. Abusava era no queijo. lol
      Mas sim, precisamos de carbs e ela ali corta quase 3 semanas.

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    3. O meu corpo rejeitou o consumo excessivo de proteína e os rins e o figado não gostaram da brincadeira...
      Cheguei à conclusão que o meu caminho é sem restrições... só mesmo escolhas conscientes :)
      Beijinho

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    4. Eu não notei nada disso. Apenas tonturas e falta de força nas duas primeiras semanas. "Apenas" lol (que parvoice)

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    5. O teu apenas é fantástico ahahahah Mas sim temos sempre tendência a minimizar, até porque se nos sentimos fracas algo está errado :p
      Só dei conta porque devido a um "acidente" tiveram de ser feitas análises ahahahah tenho um médico de familia muito atento :D

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