#Freedom


Eram 7h30 quando eles saíram de casa. Dei por mim a precisar de respirar. Estava com falta de ar, daquele gelado que quando inspiras te purifica a alma, sabes?
Vesti aqueles leggings que só uso no ginásio, aquela camisola de capuz que serve para as corridas de inverno. Calcei os ténis. Tirei os óculos e não quis as lentes. Peguei no telemóvel e nos auscultadores. Saí de casa. Fui sem destino. Atravessei estradas sem procurar passadeiras. Não vi caras nem troquei olhares. Não vi nada. Senti o vazio da vida.
Mudei tantas vezes de país em país e acabo de perceber que poderei viajar e mudar de país o resto da vida que a felicidade absoluta nunca a encontrarei neste mundo. Sabes, sou feliz, mas faltará sempre aquilo que gente como eu precisa... de um mundo humano. Falta humanidade nestes humanos.

Sabes como me sinto neste momento. Dói-me tudo. Dói quase como quando mergulho em todos os problemas do mundo. Chama-me má, hipócrita, pouco humana, chama-me o que quiseres, mas deixa-me ser sincera. Desta vez dói-me mais. Desta vez quero chorar porque dói cá dentro. Deixa-me dizer que me sinto atacada. Deixa.
Sei que existem ataques terroristas em várias partes do mundo. Sei que por lá a guerra é uma constante e a palavra liberdade, NUNCA teve o significado que lhe conheço. Sei que se perdem vidas todas as semanas devido a gente que de gente tem pouco.

Mas... Paris. A capital da liberdade, de tanto estrangeirismo que nos deu e dá asas.
Sabes, tinha 13 anos. Verdade, 13 anos quando pela primeira vez viajei até Paris e adivinha? Sem os pais a controlar, sabes o que isso significa para uma alminha de 13 anos?! Aquela viagem foi a minha primeira aventura com os amigos. Cada passo que dei senti que era aquilo a liberdade, a responsabilidade de ser adulto. Subir as escadas da Torre Eiffel, sim que miúdos livres querem aventura, voar, não querem elevadores. Andar a tirar fotos em cada canto daqueles jardins. Correr na Avenida dos Champs Élysées e olhar para aquelas montras com olhos de adulto, mas com a atitude de uma miúda. Sabes, Paris é Paris e será sempre a capital da luz.

Sabes, estaremos em Paris daqui a umas semanas, voltarei a sentar-me numa esplanada, voltarei a pedir um croissant e um chá. Voltarei a subir a Torre Eiffel e a correr na Avenida des Champs Élysées e a fazer as poses parvas quando chegar ao Arco do Triunfo... voltarei com os meus filhos.
Porque apesar do medo, quero que eles sintam que a vida continua e que a liberdade que a Mãe lhes define seja real.
Ser livre devia ser um direito de todo o ser humano, mas não é. Em mil e um país nunca souberam o que é ser livre. Mas nós sabemos. E andam a matar quem sabe o que é ser livre. Não tenho medo de morrer. Não me querem matar. Querem matar a liberdade e é disso que eu tenho medo.

Olha, deixa-me dizer-te que estou cansada das redes sociais. Que o blog está parado, paradinho, que me tenho mantido em silêncio e que aqui continuarei sem obrigações. Sei que não vai agradar a muita gente, mas eu farei deste canto o meu jornal da liberdade. De tudo. Da liberdade de viver num país livre.

Sei que este sentimento vai acalmar, vai passar. Não será esquecido porque o tempo ao contrário do que dizem não cura, apazigua, mas não cura.

Voltarei. Quando a vida deixar.
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